sábado, 16 de julho de 2016

Pela Magia de Acreditar - 3ª Parte

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Enquanto seguiam o seu percurso, David via a paisagem verdejante e o rio de águas transparentes, ladeado por belas e naturalmente esculpidas pedras, onde dava vontade de sentar e ficar a tocar naquela água fresca e convidativa.
Quando chegaram Haran anunciou-lhe:
-Ei-lo! Naiara. E o que David via diante si era um templo, muito bem cuidado, de paredes de pedra cinzenta clara. Uma estrutura forte que nem o tempo tinha deixados sinais de degradação, abandono ou desleixe. Pelo contrário. Todo o vasto edifício parecia um monumento perfeito, devidamente cuidado.
- Chegámos, Jovem Kiroan. Este é o nosso templo. Bem vindo a casa.
Foram estas as palavras de Harã ao mesmo tempo que com um toque firme no ombro do jovem dava-lhe a indicação de que podia e devia avançar.
David avançou pelos portões e portas de acesso do templo e só parou quando os seus pés tocaram o mármore do chão do salão de entrada. Diante si uma escada enorme em caracol indicava que havia imensas coisas a descobrir. Haran, que parara ao lado de David apenas por um curto instante, começou a subir a enorme escadaria, e fez sinal ao rapaz para que ele o seguisse. Enquanto subiam a escada, David ouvira um leve bac da porta principal a fechar-se. Alguém, pensou o jovem, estaria ali para fechá-la, e nem me dei conta.
Tão logo alcançaram o primeiro patamar, tudo o que podiam ver eram pessoas silenciosas, trajadas com fatos escuros, sentadas num enorme tapete, alinhadas por idades, segundo o que parecia. No meio do enorme tapete havia um espaço, que ninguém ocupava.
Olá. Apeteceu-lhe dizer a todas aquelas pessoas vestidas de igual e apenas com diferenças de cor na capa que os cobriam, e nos cintos e punhos – cores que deviam variar, presumiu o rapaz, consoante o grau de cada um e a idade. mas a sua voz não lhe saía. Era melhor permanecer calado. Haran explicarlhe-ia o que era tudo aquilo. E quem eram aquelas pessoas vestidas como ele. Deviam ser ninjas, deduziu, mas, o que é que faziam todos ali, tão alinhados, tão silenciosos e com um ar de espectativa nos rostos?
Harã, adivinhando os pensamentos de todos, inclusive os pensamentos do jovem ao seu lado apreçou-se a ocupar o seu lugar no tapete para falar aos demais presentes na sala.
- Ninjas, este jovem que vedes é Kiroan, o neto do nosso líder Koroan, atualmente presente no mundo dos humanos comuns. Como tendes presente na vossa memória e coração, este é o jovem ninja esperado para cumprir a missão de encontrar o sabre do nosso koroan, roubado pelos responsáveis de tantas guerras existentes no nosso mundo, e em parte com o mundo dos humanos comuns. Como sabeis, ninjas, o único sabre capaz de produzir a luz que fará com que os mundos se unam e tudo termine é a luz do sabre roubado do nosso koroan. E como dita a profecia, Kiroan, é o ninja capaz de entrar onde está o sabre, desvendar o segredo da serpente incandescente e resgatar aquilo que nos pode ajudar a acabar com esta guerra. Em que temos vivido desde à milhares de anos.
Todos, como Harã dissera, sabiam quem era Kiroan, e todos sabiam bem como estavam de acordo com o entendimento feito da leitura da profecia, escrita com runas, e que todos os ninjas, contrariamente aos humanos, sabiam ler e escrever.
Só um coração forte, com a dureza do asso, e a chama do amor, e olhos de quem vislumbra mais que o agora, podem vencer a luz que prende a única razão de todos os fins.
Depois de lhe explicarem e de lhe lerem a profecia, David entendera e soubera muito bem o que teria a fazer. Teria de cumprir com o seu papel de ninja. Afinal só a ele é que lhe cabia a missão de acabar com as guerras que separavam os mundos.
Não sabia se era ele que tinha aquele coração descrito na profecia. Porém era o sabre do seu avô que mudaria todos os finais. E desde pequeno que David fora ensinado a cumprir caminhos, sempre embalado pelo desejo da descoberta e da verdade, sobre todas as coisas.
Quando terminou de ouvir o que os ninjas lhe tinham a dizer, David – o jovem ninja Kiroan, seguiu ao lado de haran, até ao local onde se tinham encontrado. Antes de se despedirem e dizerem um até breve, Harã encinou-lhe a voltar para o seu mundo, para o seu quarto, para a sua vida como humano comum. Era simples. Era só abrir o livro do seu avô, na página onde estava desenhada uma casa, e colocar a mão no cipreste junto do qual se encontrava agora e junto do qual ficara quando chegara ali a Karamin, a ilha dos Ninjas.
Essa seria mais uma das descobertas que faria, com o tempo. David iria descobrir e aprender que, com o livro do seu avô muitas eram as formas existentes de viajar entre os dois mundos.
Ao voltar para o seu mundo dos humanos, para casa e para o seu quarto no sótão da sua casa, o caleidoscópio acontecia com as mesmas imagens, cores e David continuava a sentir-se numa espiral, mas desta vez, ao invés de se sentir a descer, sentia-se a subi-la. Voltou a fechar os olhos tal como fizera quando fora parar a Karamin. Tinham sido imensas emoções. O cansaço começava a fazer-se sentir e ele sentia precisar de descansar.
Quando voltou a abrir os olhos, la estava ele, deitado sobre a colcha azul da sua cama, no seu quarto nas águas furtadas, onde uma janela deixava transparecer a noite estrelada que ele vira chegar. Lyra, permanecia deitada na cama, completamente alheada do mundo, no seu sono profundo. David podia ver que ela nem se dera conta que ele ali não estivera. Ou estivera? Pois afinal sempre que ele saía ela dava-se conta! Que estranho era ele não ter estado ali e ela continuar a dormir como se nada se tivesse passado. Estaria a ficar doido? Teria ele sonhado? ÀS tantas era isso: ele tinha sonhado e achava que não. Achava que tudo tinha sido verdade. Mas como é que era possível ser verdade. Ele era um rapaz comum, igual a tantos outros rapazes. Não poderia ser um ninja tal como tinha sonhado. Não poderia… Mas aquele sonho fora tão real E lembrava-se tão bem da profecia! Ainda para mais tinha de la voltar. Ele voltaria a Karamin, a fim de aprender todas as coisas sobre os ninjas e todas as coisas sobre a missão para a qual ele fora o escolhido. Em breve, então saberia se sonhara, ou se vivera realmente toda aquela história. Vencido pelo cansaço e já metido dentro da cama, adormeceu. Quem saberia se voltaria a sonhar com Karamin e com Haran e todos os outros ninjas.


(…)

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